Obrigada por nada!

Muitos devem ter visto o texto que rodou a internet nos últimos dias e dominou a página do Facebook: “ Meu filho, você não merece nada”,  publicado em uma coluna da Revista Época. (quem não teve a oportunidade de ler, digite no Google que é logo o primeiro link)

Eu li uma vez e até cheguei a me identificar em alguns momentos, mas reli e li de novo para minha mãe e confesso que aos poucos ele foi perdendo a graça.  Esta coisa de rotular a geração Y, de só encontrar defeitos e traduzir em poucas palavras como ansiosos, insubordinados e no final das contas  errados, cansa!

Eu já estava pensando em escrever este texto, quando tive a oportunidade de ler o blog da Lili Trainee e ver que felizmente não sou a única que penso assim. Ela traduziu em poucas palavras, muitos dos meus sentimentos.

É, Lili, também me deixa indignada  o ponto que chegamos -no julgamento da felicidade.  Se o grande mal dos Y é querer crescer, investir nos estudos, na carreira, na tecnologia e ainda assim valorizar a família, os amigos, um bom bar, uma balada e um relacionamento saudável, se é  a oportunidade de fazer mochilão pela Europa com pouca idade, de se frustrar mais tarde (ou não!)… Enfim, que eu morra com este mal.

Como ouvi em uma palestra do Rodrigo Cogo: “O que mudou foi o poder –  o padre, o pai e o patrão” e isso não significa desrespeito, falta de merecimento, erro, insubordinação…não há certo e nem errado,  o mundo apenas mudou. Como dizia um grande amigo e muitas vezes mestre “ a mudança só incomoda quem não a conhece”.

Por que as pessoas que criticam a tal geração Y não procuram conhecê-la mais a fundo? Se me permitem ser superficial, diria que é pela simples comodidade dos mesmos que nos julgam e estão há 25 anos na mesma empresa (sendo os 20 últimos no mesmo cargo  e função), por nunca terem feito um mochilão pela Europa aos vinte e poucos… mas que souberam lidar com a frustração aos 16.

Enfim, se é que meus pais concordam com a tal autora, fica aqui então o meu “Obrigada por nada!”, porque se o nada que eu mereço ou que foi me dado sem nem mesmo merecer,  é o que me fez conquistar o que conquistei até hoje e com esforço sim, com frustrações sim e sempre assumindo a dor e a delícia de ser o que sou, eu estou feliz ( e quem vai julgar que é mentira?).

Sobre Tati Santos
Sou formada em relações públicas, apaixonada pela comunicação atuo como consultora e sou professora assistente da matéria de Gerenciamento da Comunicação Organizacional, na Faculdade Cásper Líbero. Estou disposta a compartilhar ideias e mergulhar ainda mais neste mundo 2.0. No twitter: @tati_lsantos

One Response to Obrigada por nada!

  1. Oi Tati, só pra complementar a referência que você fez à minha palestra. Falei da “falência dos 4P´s”, que ouvi do professor da USP Paulo Nassar: no sentido do questionamento da autoridade instituída expressa em pai, patrão, padre e professor. É bem na linha do que você escreveu: não por rebeldia pura, desrespeito ou algo assim, mas por crença de que todos são mais que um, que todos têm algo a contribuir.

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